
Moinho
...tudo parecia um sonho!

Fotografias retiradas do site www.chateauversailles.fr


O nosso beliche!!!
No outro beliche devia estar um casal. Serão namorados? Hum… O de cima é o rapaz. Cama desarrumada, toalha molhada em cima dos lençóis. Homem, de certeza. O de baixo deve ser o quê? A irmã? Deus queira que eles não sejam como os do hostel de Salzburgo (aqueles irmãos ingleses enjoados que não falavam com ninguém). Se calhar é a namorada. Só havia produtos para o cabelo. Vamos ver o que sai daqui… Resta esperar até que eles cheguem.
Tomámos banho no duche. Um cubículo sem janelas, em que o chuveiro era o cano da água e depois tinha um botãozinho (temporizador). Ok, já passámos por pior, vamos a isto. O temporizador estava marcado para 20 segundos. Os 40 segundos iniciais serviam p aquecer a água, para conseguirmos entrar no banho. Depois o resto era fácil. Carregar no botão de 20 em 20 segundos até acabar a higiene pessoal. Sempre com as havaianas calçadas, claro.
Depois de lavadinhos e perfumados, fomos passear.
O nosso vagão era igual a este. Saquei esta fotografia do site http://embudapeste.livejournal.com
Depois de chegarmos a um consenso em relação a quem ía ficar com as camas de cima e por aí fora, começamos a viagem ainda meio calados. Eu e o meu irmão nas camas de cima, o francês e uma das mulheres no meio e a outra mulher e a neta em baixo.
Mas depois as duas mulheres, que eram dos Camarões começaram a conversar e rapidamente ficámos todos a ouvir a conversa até que às tantas já estava tudo à gargalhada e a conversar alegremente. A mais divertida chamava-se Marcelle e estava de regresso a casa, nos arredores de Paris. Tinha ido a Nápoles e tinha feito “muitas compras, verdadeiras pechinchas, sapatos a um euro, queres ver?”, dizia ela para a amiga. E nós, francês lingrinhas incluído, com a cabeça de fora da cama a ouvir tudo, curiosos. “Não acreditas? Eu mostro-te!”, e pediu-me para eu lhe dar o saco cheio de tralha que estava aos meus pés. “Olha estes! Um euro!” e tudo de boca aberta a ouvir as histórias da Marcelle. Depois rendemo-nos ao cansaço e adormecemos profundamente. Só acordámos de manhã, já quase em Paris. Foi uma das melhores noites de sono deste interrail, acho que os solavancos do comboio me embalaram e não acordei uma única vez durante a noite. Foi maravilhoso.



