A propósito do post anterior,lá no clube de vídeo dirijo-me às pessoas de uma maneira gentil e cordial, mas sempre na 3ª pessoa. Seja o sócio velho ou novo.
Isto porque independentemente da idade ou estatuto socio-económico, num negócio o cliente está em primeiro lugar e deve ser tratado com o devido respeito. Ainda que depois a barreira possa ser quebrada e seja o cliente a pedir um tratamento menos formal.
Uma das coisas que me deixa completamente passada quando estou a ser atendida é tratarem-me por tu, quando não me conhecem de lado nenhum. Salta-me a tampa, mas na maior parte dos casos,limito-me a fazer umas trombas monumentais e nem digo nada.
Isto aplica-se aos meus instrutores de condução. No outro dia, um deles estava deliciado a orientar a minha condução:
"-vira à esquerda!",
"-contorna pela direita!",
"-estás a perceber?"
eu respondi:
"-eu queria pedir-lhe uma coisa. Não me trate por tu, que eu não gosto."
ao que ele respondeu prontamente:
"-eu não te estou a tratar por tu, eu trato-te por Inês."
Eu estava já virada do avesso, vermelha de cólera mas limitei-me a encolher os ombros,bufei e disse para ele parar de se dirigir a mim na 2ª pessoa do singular. Rangi os dentes.
Realmente, o clube de vídeo anda-me a fazer muito bem aos nervos. Isto de lidar com o público também nos dá mais sangue frio. O homem safou-se de levar uma travagem brusca acompanhada de um berro estridente pelos ouvidos adentro.
Mesmo assim, duvido que ele tenha entendido o que eu quis dizer. Pelo sim, pelo não, da próxima vez levo uma gramática da língua portuguesa.
Burro.